CASA POPULAR
Famílias de sem-teto são retiradas de obra inacabada
Por Mário Bittencourt l A TARDE

ITAMARAJU - Setenta e duas famílias de sem-teto foram retiradas nesta quinta-feira, 29, de uma obra inacabada de moradia popular que se arrasta deste 2008 no bairro Bela Vista, em Itamaraju, no extremo sul baiano. Essa foi a segunda desocupação da área pelas mesmas famílias no período de uma semana.

Orçada em R$ 945 mil, sendo R$ 899.999,90 do Ministério das Cidades e o restante da Prefeitura de Itamaraju, a obra teve todo o recurso repassado, em 9 de outubro de 2009, do ministério para a Caixa Econômica Federal (CEF). Os recursos são oriundos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS).

Como as obras pararam, também houve a paralisação da transferência dos recursos da CEF para prefeitura. A verba foi repassada pela última vez em 25 de junho de 2009. O dinheiro é para a construção de 70 casas. Até o momento, apenas 15,4% da obra foi realizada. Muitas casas estão ainda sem telhado, e a maioria tem apenas paredes e telhado, com piso de chão batido.

A primeira ocupação dos sem-teto se deu em junho do ano passado. Em fevereiro deste ano, foi celebrado um acordo entre os líderes do movimento e a prefeitura, no qual estava combinado um cadastramento das pessoas que precisam de moradia. A CEF, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que a paralisação do repasse de verbas se deu porque a prefeitura informou que as obras estavam ocupadas pelos sem-teto.

Enquanto o secretário municipal de Ação Social, frei Francesco Scarpelino, informa que já cadastrou mais de 50 famílias – sem mostrar documentos –, os líderes do movimento garantem que desconhecem o cadastramento. A resistência na ocupação – diz Sidiclei Barbosa Gomes, um dos líderes dos sem-teto – deve-se a suposta falta de cadastro das famílias.

Nesta quinta, a desocupação se deu por meio de um mandado de reintegração de posse emitido pela Justiça em favor da prefeitura local. Um oficial de justiça esteve na área junto com a Polícia Militar. Na semana passada, na primeira desocupação, os sem-teto foram para um colégio abandonado.

 
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